quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Geologia da Barra - Salvador - Bahia. (Trabalho Técnico)

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"Arcabouço Estrutural da orla de Salvador na praia do Porto da Barra: Uma contribuição à Geologia do Cinturão Salvador – Esplanada"
Trabalho Técnico apresentado em painel no XLV Congresso Brasileiro de Geologia – Belém, Pará, 2010.
Autor: André Luiz de Souza e Souza, da Universidade Federal da Bahia.
Co-autores: Pedro Maciel de Paula Garcia, Simone Cerqueira Pereira Cruz, Jailma Santos de Souza, Johildo Salomão Figueiredo Barbosa e Luiz César Correa Gomes, da Universidade Federal da Bahia.
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Introdução: A área estudada localiza-se no extremo sul da cidade de Salvador-BA, no bairro da Barra, entre as coordenadas UTM 550617 e 550668 km N, e 851989 e 8562178 km E. A região da cidade de Salvador divide-se em três domínios geológicos (Barbosa et al. 2005): a Bacia Sedimentar do Recôncavo, o Alto de Salvador, e a Margem Continental Atlântica, onde afloram rochas do embasamento pertencentes ao Orógeno Paleoproterozóico Itabuna-Salvador-Curaçá (Barbosa & Sabaté 2002, 2004). Seus litotipos são representados por granulitos orto e paraderivados (Barbosa et al. 2005), este orógeno pode ser dividido nos cinturões: ocidental Itabuna-Salvador-Curaçá, com trend N-S (Santos & Souza 1983); e oriental, Salvador-Esplanada, com trend N 045 (Barbosa & Dominguez 1996), no qual está inserida a área de estudo.
Objetivo: Mapear as rochas do lajedo Espanhol na escala 1:1.000 e 1:500. Visando discutir modelo de evolução estrutural da área de trabalho.
Metodologia: Utilização de foto aérea na escala 1:300, imagem do Google Earth ®. Realização de campanha de campo para fazer levantamento das estruturas existentes. O tratamento dos dados está sendo feito em ArcGis. Utilização de estudos petrográficos para separar as unidades litológicas e auxiliar na análise estrutural.
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Geologia local: A campanha de campo realizada neste trabalho conseguiu distinguir três unidades litológicas deformadas ductilmente (1) enderbito (foto 1 e 2) e (2) granulito alumino-magnesiano e (3) sienogranito deformado (foto 3 e 4). Duas unidades litológicas não deformadas ductilmente (A) dique monzo-sienogranitico e (B) dique diabásico (foto 5 e 6), além de duas unidades sedimentares (i) ortoconglomerado e (ii) areias inconsolidadas de praia. Foram realizadas análises petrográficas sobre as unidades (1), (2) e (B).
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Conclusão: A partir do levantamento estrutural realizado foi possível reconhecer quatro fases deformacionais distintas. A primeira delas, denominada de Dn-1, de natureza dúctil, foi responsável para geração de uma foliação Sn-1 que associa-se com um bandamento composicional e pode ser observada em dobras intrafoliais da fase seguinte, Dn. Essa fase foi a principal responsável pela estruturação finita, sendo de natureza dúctil. O registro estrutural permitiu subdividi-la em dois estágios distintos. O primeiro, Dn’, foi responsável pela geração da foliação Sn’ e pela sua paralelização com a foliação Sn-1 e pela formação do bandamento gnáissico. Dobras isoclinais, sem raiz e com plano axial paralelizado com a foliação Sn’ foram nucleadas. Além da foliação Sn’, lineação de estiramento (Lxn’), lineação mineral (Lmn’), boudins e duplex foram formados. A vergência geral do movimento é de NE para SW. Com a progressão da deformação, a fase Dn’’ levou à nucleação de dobras suaves a abertas com envoltória simétrica.
Possivelmente, a fase Dn pode ser correlacionada com a fase D1 de Barbosa & Sabaté (2002) e está relacionada com as deformações tangenciais da evolução do Orógeno Itabuna Salvador-Curaçá. Entretanto, assumindo que os duplex estão associados com uma tectônica tangencial, o campo de tensão regional interpretado à luz das estruturas identificadas estaria associada com sigma 1 (σ1) dirigido de NE para SW, diferentemente do que foi proposto por aqueles autores para o Orógeno Itabuna-Salvador-Curaçá, que seria de NW para SE.
Uma fase posterior de natureza rúptil-dúctil Fn+1 foi responsável pela nucleação de faturas de tração com preenchimento de diques monzo-sienogranitos e doleríticos. Essas estruturas são truncadas por zonas de cisalhamento com orientação N010/85WNW a N-S que demonstra cinemática sinistral e N100/81SSW a E-W com cinemática destral, tendo sido interpretada como um par de falhas conjugado e sigma 1 (σ1) dirigido de NW para SE.
Por fim a última fase deformacional, Dn+2, de natureza rúptil é caracterizada por fraturas não preenchidas que posivelmente estão associadas com a abertura da Bacia do Recôncavo e do Oceano Atlântico Sul. A direção das estruturas rúpteis são paralelas com a orientação da lineação de estiramento do afloramento. Sendo assim, essa estrutura linear pode ter controlado a distribuição das estruturas rúpteis.
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Figuras:
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