quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pangéias

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Pangéia é uma agregação de todas as massas continentais terrestres. Ao contrário do que pensam muitos, podem existir, entre elas, áreas de mares. Entretanto, o grande diferencial é que essas águas têm fundo continental. Ou seja, não são águas oceânicas.
Houve quatro Pangéias na História Geológica.
A primeira pangéia denomina-se Columbia, tendo surgido entre 2,0 e 1,9 bilhão de anos atrás. Foi formada pela uma agregação relativa dos três grandes continentes, Atlântica, Ártica e Ur. Os terrenos baianos encontravam-se dentro do continente de Atlântica, passando a ocupar uma região central naquela pangéia.
Há 1,5 bilhão de anos essa primeira pangéia viu-se, finalmente, estilhaçada, formando vários continentes.
Há 1,1 milhão de anos atrás formou-se uma nova Pangéia, a Rodínia. Sua coesão foi mantida até 750 milhões de anos atrás, dando-se novo espedaçamento.
Nova agregação, isto é, outra Pangéia, ocorreu há 600 milhões de anos, estendendo-se até 540 milhões de anos atrás. Foi a denominada Pannotia.
Finalmente, a última pangéia foi aquela denominada Pangéia, formada há 255 milhões de anos. É a Pangéia propriamente dita, formada por duas partes principais, a Laurásia e o Gondwana, em parte separadas pelo Oceano Tethis. A Bahia ocupava sua posição dentro do Gondwana.
Há cerca de 225 milhões de anos, o Pangéia sofreu sua primeira grande cisão, com Laurásia e Gondwana separando-se.
O Gondwana, formado pelas maiores partes do que atualmente conhecemos como América do Sul, África, Austrália, Antártica e Índia, mergulharia, ele próprio, em seu processo de cisões contínuas, até que essas partes se vissem separadas.
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domingo, 13 de dezembro de 2009

"O meteorito de Bendegó", por Maria Elizabeth Zucolotto


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Artigo redigido por Maria Elizabeth Zucolotto

Museu Nacional / UFRJ
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"O Bendegó é o maior meteorito brasileiro conhecido até o momento. Pesa 5,36 toneladas e mede 2,15m x 1,5m x 65cm. De formato meio achatado, lembra uma sela de montaria. Trata-se de uma massa compacta, de ferro e níquel, contendo outros elementos em quantidades menores ( ver tabela 1).
Apesar de seu colossal tamanho, ele já não mais figura entre os dez maiores do mundo, muito embora fosse o segundo em peso e medida à época de seu descobrimento (ver tabela 2 ). Foi descoberto no interior da Bahia e hoje se encontra em exposição na sala de meteoritos do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
A seguir contaremos a história da sua descoberta e do engenhoso transporte de que foi alvo, até à cidade do Rio de Janeiro.
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História

Foi descoberto pelo menino Domingos da Motta Botelho, em 1784. O garoto campeava o gado quando percebeu que, ali, na invernada, havia uma pedra grande, amarronsada, bem diferente das outras da Região. Chegando em casa, comentou com o pai a sua descoberta. Aquele, um fiel súdito do Governo -- Joaquim da Motta Botelho, informou às autoridades ter encontrado, sobre uma elevação próxima ao Rio Vaza Barrís, nos sertões de Monte Santo, Bahia, “uma ‘pedra’ de tamanho considerável da qual se presumia conter ouro e prata”. O então Governador, D. Rodrigo, ficou muito impressionado com a descoberta e, no ano seguinte,1785 encarregou o Capitão-mor de Itapicurú, Bernardo Carvalho da Cunha, de providenciar o seu transporte para a capital, Salvador.
O Capitão Cunha escavou ao redor do meteorito uns 4 níveis. Auxiliado por 30 homens e algumas alavancas, conseguiu colocar o meteorito sobre uma carreta especialmente construída para o transporte de carga tão pesada. Para facilitar a passagem, ele pavimentou uma pequena estrada até o riacho. Tendo 12 juntas de bois atreladas ao veículo, partiu vagarosamente sobre um leito de pedra especialmente construído para a passagem da carreta. Seu plano era levar o meteorito até o Riacho de Bendegó e depois para o Rio Vaza Barrís, até alcançar o Porto de Salvador e, de lá, seguir de navio até a capital.
Tudo corria bem até a descida do leito do riacho onde, não dispondo de freios, o veículo ganhou momento, tendo sua velocidade acelerada em muito, o que impôs um atrito sobre os eixos, incendiando-os. A carreta correu desenfreadamente morro abaixo, indo parar junto com o meteorito no leito do riacho Bendegó, dentro de uma ipueira, a apenas 180 metros do ponto de partida. Nunca se soube se algum boi veio a morrer neste atrapalhado empenho.
Bernardo Carvalho da Cunha, em face do acontecido e levado pelo desânimo, abandonou a façanha. Cientificado do fato, D. Rodrigo levou-o ao conhecimento do Ministro de Estado de Portugal, enviando-lhe alguns fragmentos do material. O fracasso, entretanto, veio a favorecer o fato de o meteorito encontrar-se hoje no Brasil, pois, de outra forma, teria ido parar em Portugal ou teria sido totalmente fundido em busca de metais preciosos.
A notícia, correu o mundo e a misteriosa “pedra” foi visitada por alguns cientistas viajantes, entre os quais A. F. Mornay que, em 1810, suspeitando tratar-se de um meteorito, foi a Monte Santo, encontrando-a exatamente no local onde fora deixada, vindo a constatar que, de fato, tratava-se de um meteorito. Com muita dificuldade, conseguiu retirar-lhe uns poucos fragmentos, que juntamente com as observações pessoais colhidas foram remetidos a Wollaston, da Real Sociedade de Londres.
Seis anos mais tarde, era publicada no “Philosophical Transactions” a carta de Mornay e as análises realizadas por Wollaston. Em suas informações, Mornay atribuía ao meteorito o volume de 28 pés cúbicos e o peso de 14.000 libras e com as dimensões de 7 pés x 4 pés x 2 pés de espessura.
Outros visitantes ilustres foram a dupla de naturalistas alemães, Spix e Martius, em 1820, os quais foram conhecer o meteorito em companhia de seu descobridor Domingos da Motta Botelho, já um homem àquela época. Encontraram o meteorito no mesmo ponto deixado, e ainda sobre a carreta do Cap. Cunha. Com muita dificuldade, e depois de atearem fogo à “pedra” por 24 horas, conseguiram retirar alguns fragmentos do meteorito, os quais foram levados para a Europa, o maior deles sendo doado ao Museu de Munique.
Como na estória da Bela Adormecida, o meteorito permaneceu no leito do rio por cerca de 100 anos quando, em 1883, o Prof. Orville Derby, do Museu Nacional, tomou conhecimento do meteorito. Derby contatou o engenheiro da Estrada de Ferro Inglesa (British Rail Road) , que construía uma extensão da estrada de Monte Santo a Salvador, que o notificou que, em breve, a estrada alcançaria o ponto mais próximo ao meteorito, ou seja, cerca de 100 km de distância, em terrenos montanhosos. Contudo, os custos do transporte estariam bem acima das possibilidades do Museu.
Em 1886, o Imperador D. Pedro II tomou conhecimento do fato pela Academia de Ciências de Paris, durante uma visita à França, prontificando-se a providenciar o transporte de peça tão importante para o Rio de Janeiro, assim que retornasse ao Brasil
Aqui , o Imperador chamou o Sr. José Carlos de Carvalho, um oficial aposentado da Guerra do Paraguai, primo do engenheiro da Estrada de Ferro Inglesa contatado por Derby anos antes. Informando-se das possibilidades do transporte, José Carlos de Carvalho procurou apoio da Sociedade Brasileira de Geografia, a qual tomou todas as providências para que o transporte fosse efetuado. A Sociedade encarregou-se, principalmente, da parte financeira, conseguida por intermédio de um generoso patrocínio do Barão de Guahy, cujo nome de batismo era Joaquim Elysio Pereira Marinho.
Organizou-se, então, uma comissão do Império para a recuperação do Bendegó, formada por José Carlos de Carvalho e pelos engenheiros Vicente de Carvalho Filho e Humberto Saraiva Antunes (Fig.1). No dia 7 de setembro de 1887, quando era comemorado o aniversário da Independência, iniciou-se o trabalho de remoção do meteorito, com uma solenidade cívica às margens do riacho Bendegó. Ergueu-se ali, um marco denominado “D. Pedro II” (Fig.2 ), em homenagem ao Imperador. Na ocasião, colocou-se dentro de uma pequena caixa de ferro um exemplar do termo de inauguração do trabalho de remoção e um exemplar do Boletim da Sociedade Brasileira de Geografia, que publicava um memorial sobre o meteorito.
No relatório da viagem, publicado em português e francês, em 1888, o Cap. Carvalho relatou detalhadamente o transporte do Bendegó, a geografia do local e as dificuldades enfrentadas por todos.
Na descrição da geografia local, Carvalho deu uma visão completa da Região, mostrando o erro em que têm incorrido muitos sábios naturalistas que visitam os sertões somente em tempos de seca Este erro consiste em considerarem aquelas paragens como desertos áridos, sem vegetação e inabitáveis. Conforme a época em que o sertão é percorrido, apresenta painéis de natureza tão diferentes, tão opostos entre si, que muitas vezes o naturalista , ou um outro viajante qualquer, custa a crer que o sítio em que se encontra seja o mesmo avistado por ele alguns dias ou semanas antes.
Por ocasião das águas, o que eqüivale a dizer da Vida, a vegetação é pujante e original, o céu límpido e a natureza encantadora. Na época das secas, todavia, os campos se apresentam negros ou pardos e o solo, quando não arenoso, fende-se profundamente; as árvores apresentam-se desnudas, sem folhagem, à exceção dos juazeiros e umbuzeiros; e a paisagem toma um aspecto de Inverno rigoroso, sejam os climas frios ou temperados. Basta, porém, que se precipitem as primeiras chuvas para que a temperatura caia, a vegetação reviva, e, ao cabo de uns poucos dias, o campo se reverdece e fica florido, outra vez, não lembrando em nada a paisagem vista uns dias antes...
A Comissão do Império, após diversos estudos geográficos, escolheu o que seria a melhor rota para o transporte do meteorito até a Estação Férrea de Jacuricy. O caminho escolhido foi o mais curto, embora tivesse que transpor a Serra do Acarú. Foi preciso, igualmente, construir grande parte das estradas, pois as existentes eram muito estreitas e se encontravam em péssimo estado de conservação.
Projetada por José Carlos de Carvalho, mandou-se construir uma carreta que, engenhosamente, poderia andar sobre trilhos, ou sobre rodas, dependendo das condições encontradas no trajeto. A carreta possuía dois pares de grandes rodas de madeira, para rodar em solo, e na parte interna, especialmente calculadas, rodas metálicas para rodar sobre trilhos, de tal modo que, estando sobre estes últimos, as rodas de madeira não tocassem o chão.
Por vezes, o carretão era puxado por juntas de boi. Noutras ocasiões, pondo-se em prática as habilidades de um marinheiro, tirava-se proveito do emprego de estralheiras, talhas dobradas, patescas e estropos, e de todas as engenhosas disposições de cabos e roldanas de que o homem do mar sabe servir-se para, com esforços relativamente pequenos, locomover pesos consideráveis.
No dia 25 de novembro, a carreta começou a se mover sobre o leito do riacho de Bendegó. No dia 7 de dezembro, tendo se movido por apenas 17 km, esse carro primitivo de transporte encontrou as primeiras dificuldades ao cruzar o Rio Tocas. Após dois dias de fortes chuvas, o leito do rio até então seco, estava molhado e escorregadio, ocasionando o descarrilamento do carretão, virando e atirando o meteorito para dentro do riacho. Trabalhou-se por 24 horas ininterrúptas. Fogueiras foram acesas para que se prosseguisse viagem no dia seguinte.
A transposição da Serra do Acarú, que obrigava a uma subida de rampas de 18 a 20% de declive, foi bastante árdua. A operação foi executada por cabos conectados ao carretão e amarrados às árvores mais grossas, propositadamente deixadas na estrada aberta, e puxadas com o auxílio de talhadeiras, talhas e juntas de boi. Conta o relatório que, já quase no sopé da serra, uma árvore cedeu. Os aparelhos se arrebentaram e o carretão precipitou-se por uma rampa de 30% de declive (km 22), indo parar, felizmente, no meio da ladeira, por ter o meteorito saltado na frente do carretão, paralisando-o. Não fosse esta queda providencial e o carretão se teria descarrilado para o fundo de uma grota profunda. Felizmente, as chuvas só começaram a cair depois da passagem da Serra do Acarú. A marcha foi interrompida sete vezes pela queda do meteorito da carreta e quatro vezes para a substituição de eixos que se partiram.
A comissão enfrentou diversas dificuldades, como a construção de estivados em lagoas, armação de passagens provisórias sobre o Rio Jacuricy de 50 metros de vão, levantamento de aterros sobre baixadas alagadas, e o corte de caminhos por entre encostas de morros pedregosos. A Comissão pode orgulhar-se de ter realizado um dos mais, se não o mais notável transporte já efetuado no Brasil.
Toda a marcha de 113 km pelo Sertão, entre o local onde fora abandonado 102 anos antes, e até a Estação de Ferro de Jacuricy, demorou 126 dias, avançando em média cerca de 900m por dia.
No dia 14 de maio de 1888, chegou o meteorito à Estação de Jacuricy, e no dia 16 assentou-se o marco de chegada, denominado “Barão de Guahy”, no exato local de onde o meteorito embarcou com destino ao Museu Nacional do Rio de Janeiro. Foi lavrado um auto com todas as informações concernentes, junto com outro exemplar sobre a viagem, e ambos foram colocados numa caixa de ferro deixada nas fundações do marco. Da Estação de Jacuricy o meteorito embarcou para Salvador e, de trem, percorreu 363 km, chegando a Salvador a 22 de maio de 1888. Lá chegando, foi pesado, verificando-se que o mesmo tinha, então, 5360 kg .
O meteorito ficou em exposição em Salvador durante 5 dias, e em 1o de junho embarcou no vapor “Arlindo”, seguindo para Recife e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde chegou no dia 15, sendo recebido pela Princesa Isabel e entregue ao Arsenal de Marinha da Corte.
Nas oficinas do Arsenal de Marinha foram feitos os cortes indispensáveis para o estudo da “pedra”, bem como para a obtenção de materiais que foram doados e permutados com diversos museus do Brasil e do mundo. Confeccionou-se, também, uma réplica do meteorito em madeira, que o governo brasileiro fez figurar na Exposição Universal de 1889. Este modelo hoje se encontra no Museu de História Natural de Paris.
Concluído o trabalho, o meteorito foi transportado a 27 de novembro de 1888 para o Museu Nacional, nessa época situado no Campo de Sant’Anna,.
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Revisitando o Bendegó

Percorremos a história do Bendegó em companhia do nosso estagiário Sandro de O. Gomes e de um pesquisador e estudioso desse meteorito, Wilton de Carvalho. Nossa visita aconteceu em época de seca extrema e isso nos permitiu constatar quão dura é a vida naquele lugar e de como o sertanejo precisa ser forte, deveras, para poder lidar com situação semelhante. Não havendo água, quando a encontra, precisa carregá-la em baldes, por muitas e muitas centenas de metros... O gado morre de fome não tendo o que comer ou beber, exceto umas bem minguadas palmas que são picadas por seus proprietários. Observa-se um interior brasileiro que praticamente não evoluiu em nada, num contraste gritante com a modernidade das cidades vizinhas, um contraste entre Brasis muito próximos e tão distantes!...
Retomando-se os caminhos da História, fica-se sabedor de que, hoje, o marco “D. Pedro II” não mais existe, uma vez que, alguns anos depois da remoção do meteorito, a região foi assolada por uma seca enorme, cujo acontecimento o sertanejo atribuiu, supersticiosamente, à remoção da pedra. Derrubaram o marco em busca da pedra irmã e ali encontraram a caixa metálica onde, segundo se diz, havia apenas um papel onde se lia “Jesus, Maria e José”!!. Provavelmente tratava-se dos autos lidos por um analfabeto qualquer...
Devido à estação das secas em que nossa viagem se deu, o riacho Bendegó encontrava-se totalmente árido. O Rio Jacuricy tinha muito pouca água e as estradas construídas pela Comissão do Império já não se podia reconhecer.
Na Estação de Jacuricy ainda se pode ver o marco “Barão de Guahy”, que lembra a todos como ocorreu o famoso transporte do Bendegó.
Em Monte Santo, existe uma réplica, em tamanho original, do Meteorito de Bendegó, mas pouco se sabe sobre a natureza da peça original no Museu Nacional.
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Descrição do meteorito

O meteorito de Bendegó é uma massa irregular, de 220 x 145 x 58 cm. lembrando, em aspecto, um asteróide. Apresenta inúmeras depressões na superfície e buracos cilíndricos orientados paralelamente a seu comprimento maior. Estes buracos se formaram pela queima do sulfeto troilita, durante a passagem transatmosférica do meteorito, uma vez que o sulfeto tem um ponto de fusão mais baixo que o restante do meteorito, consumindo-se mais rapidamente.
A “pedra” é um meteorito metálico, também conhecido como siderito. É constituído basicamente de ferro, com os seguintes elementos: 6,6% Ni, 0,47% Co, 0,22%P, e traços de S e C em quantidades bem menores, só medidas em partes por milhão.
A superfície convenientemente polida e atacada com ácido revela faixas, ou lamelas entrelaçadas, segundo planos octaédricos. Esta é a conhecida Estrutura de Widmanstatten, que pode identificar um meteorito, pois não se consegue reproduzir artificialmente no aço terrestre.
A espessura e a distribuição destas lamelas determinam a classificação do meteorito que, no caso, é um octaedrito grosseiro, pois as lamelas apresentam uma espessura média de 1,8mm.
O Bendegó pouco oxidou passados duzentos anos de sua descoberta e, a julgar pela camada de 435cm de oxidação sobre a qual repousava, e a parte perdida de sua porção inferior, é de se esperar que apresente uma idade terrestre bem avançada, ou seja: caiu naquela região há milhares de anos atrás."
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Tabela 1 – Composição do Bendegó
- Porcentagem %
Ni - 6,6
Co - 0,45
P - 0,22
- Partes por milhão (ppm)
C - 155
S - 20
Cr - 32
Cu - 174
Zn - 19
Ga - 50
Ge - 232
Ir - 0,3
Pt - 10,5
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Fonte:
http://www.meteoritos_brasileiros.kit.net/Bendegoartigo.htm

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Bahianita... um mineral baiano.

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A Bahianita é um mineral, um Óxido de Alumínio e Antimônio, que tem fórmula química:
Al5Sb5 + 3 O14 (OH)2
Foi encontrado no Município de Érico Cardoso, antigo Água Quente,a na Bahia.
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Tecnicamente, a Bahianita é um mineral do sistema monoclínico, pseudo-ortorômbico. É comum em pequenos grãos até 1,8 a 2,0 cm de comprimento maior, aparecendo polycristalino ou estruturado fibroso-radialmente. Seus minerais podem aparecer encurvados e estriados, em forma de diamante ou retangular.
Forma cristais pseudohexagonais, por geminação.
Sua clivagem é perfeita. Fraturas irregulares. Sua dureza é 9.
O mineral apresenta densidade, geralmente, entre 4,78 e 5,29, sendo que os cristais mais puros possuem densidade aproximada 5,46.
É transparente a translúcida. A color vai do marrom claro ao alaranjado, e ao levemente violáceo. É amarelo em fraturas internas.
Oticamente é Biaxial negativo. Tem fraco pleocroismo.
Ocorre em concentrados residuais relacionados a rochas vulcânicas alteradas. Associa-se a quartzo, andalusita, cianita, cassiterita, ouro, dentre outros. (*4)
Apareceu a cerca de outo quilômetros sudoeste do Povoado de Paramirim das Crioulas, na região do Rio do Picos das Almas, na Serra das Almas, Município de Érico Cardoso, Bahia.
Composição. Fonte: (*4)
Fórmula: Al5Sb5 + 3 O14 (OH)2
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Peso Molecular = 758,16 gm
- Elementos (*4):
17,79 % Al
48,18 % Sb
33,76 % O
00,27 % H
- Óxidos (*4):
33,62 % Al2O3
64,00 % Sb2O5
02,38 % H2O
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Imagens:
Bahianita - Rio Pico das Almas, Paramirim das Criolas, Município de Érico Cardoso. - Foto e coleção de Luigi Chiappino(*3)
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Bahianita - Rio Pico das Almas, Paramirim das Criolas, Município de Érico Cardoso. - Foto e coleção de Luigi Chiappino(*3)
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Bahianita - Rio Pico das Almas, Paramirim das Criolas, Município de Érico Cardoso. - Foto e coleção de Luigi Chiappino(*3)
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Bahianita - Rio Pico das Almas, Paramirim das Criolas, Município de Érico Cardoso. - Diâmetro médio: cerca de 4mm. Foto e coleção de O. Dziallas(*4)
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Fontes:
(*1) - Simkev Minerals:
http://www.simkevmicromounts.com/images/SOUTHAMERICAPhotos/SouthAmericanMineralPhotoPages/Bahianite_765.html
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(*2) - Mineral Data Publishing: Handbook of Mineralogy:
http://www.handbookofmineralogy.org/pdfs/BAHIANITE.pdf
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(*3) - Mindat.org: http://www.mindat.org/gallery.php?min=484
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(*4) - http://webmineral.com/data/Bahianite.shtml
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Areia Preta, na Praia da Barra, em Salvador, Bahia.

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A Praia da Barra, em Salvador, Bahia, apresenta, costumeiramente, próximo ao Morro do Cristo, áreas escuras. Estas são, muitas vezes, confundidas pelos leigos com sujeira. Trata-se, entretanto, de uma deposição natural de um mineral denominado Ilmenita, que é um óxido natural de Ferro e Titânio - FeTiO3. É, portanto, uma areia titanífera.
Grande acúmulo de areia preta, próximo ao Morro do Cristo, na Praia da Barra - Afloramento A - Salvador, Bahia.
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Entre as atuais Praias da Barra e de Ondina, em Salvador, o acúmulo de areias escuras era tanto que havia uma praia denominada Praia de Areia Preta.
João Bigarella (*2) lembra que "a ação das correntes marinhas e das ondas é responsável pela construção e modificação das linhas de praia. As correntes transportam o material mecanicamente e as ondas selecionam-no."
Bigarella (*2) lembra também que "um depósito praial sempre é estratificado." Daí, outro ponto para o qual deve ser chamada a atenção, para a Areia Preta da Praia da Barra, em Salvador, é a formação de níveis, bem visível em cortes, devido à sucessão de deposição de camadas mais ricas em ilmenita ou quartzo. Além disto, há a influência da deposição alternada de sedimentos especialmente de areia mais fina e mais grossa, seqüencialmente.
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Mapa de Localização dos Pontos - Praia da Barra - Salvador - Bahia.
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A sua observação deixa claro que, nas estruturas sedimentares de areia quartzosa mais afastadas do Morro do Cristo e próximas do Farol da Barra, a quantidade de titanita diminuiu bastante.
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Estruturas sedimentares intercalando areia quartzosa e areia titanífera. - Afloramento B - Proximidades do Morro do Cristo - Praia da Barra - Salvador - Bahia.
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Sua fonte são os intemperismo e erosão das rochas vizinhas, granulitos antigos, com 2,2 a 2,0 bilhões de anos de idade.
Acumulação similar acontece em pontos do litoral brasileiro.
A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral - CBPM estudou os depósitos similares de areias ilmeníticas localizados no Município de Ituberá, que se estendem entre os cordões litorâneos dos Municípios de Valença a Itacaré.
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Estruturas sedimentares intercalando areia quartzosa e areia titanífera. - Afloramento B - Proximidades do Morro do Cristo - Praia da Barra - Salvador - Bahia.
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A jazidas da CBPM localizadas na região de Pratigi, no litoral sul da Bahia, representam 8,2 milhões de toneladas de areias ilmeníticas, com teor médio de 3,09% com “minerais pesados”, que são, predominantemente ilmenita, estaurolita e zirconita. Estes agrupam-se em maior concentração em depósitos antigos relacionados a cordões litorâneos antigos.
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Areia titanífera. - Proximidades do Morro do Cristo - Afloramento C - Entre o Morro do Cristo e o Clube Espanhol - Salvador - Bahia.
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Estruturas sedimentares de areia quartzosa, mais afastadas do Morro do Cristo e próximas do Farol da Barra. A quantidade de titanita diminuiu bastante. - Praia da Barra - Afloramento D - Salvador - Bahia.
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As análises mineralométricas efetuadas em 50 amostras de material concentrado conduziu aos seguintes percentuais, para Pratigi, que provavelmente são similares àqueles encontrados nas areias da Praia da Barra, em Salvador:
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MINERAL - (%) - Fonte: (*1)
Ilmenita - 75,14
Estaurolita - 9,31
Zirconita - 4,83
Cianita - 4,26
Silimanita - 1,65
Turmalina - 1,33
Actinolita - 1,22
Andaluzita - 0,97
Granada - 0,59
Rutilo - 0,35
Hiperstênio - 0,23
Espinélio - 0,07
Epidoto - 0,02
Monazita - 0,02
Muscovita - Traços
Anatásio - Traços
Clorita - Traços
Biotita - Traços
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Areia ilmenítica com marcas de corrente. Este efeito aparece quando há uma concentração de grãos com diâmetro médio maior que 0,6 milímetros.
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A questão do impacto ambiental para a exploração dessas jazidas é sempre discutida, considerando a localização de parte das jazidas. Na região de Pratigi, por exemplo, a CBPM desenvolveu estudos que indicaram que, de 21.972.489 toneladas de minério, 1.215.518 toneladas estão situadas em Zona de Mangue e 449.752 em e Zona de vida silvestre.(*1)
Outras Praias Pretas ocorrem no litoral brasileiro, geralmente relacionadas também à presença da Titanita. Destacam-se as situadas em Guarapari, no Espírito Santo, e Natal, no Rio Grande do Norte.
Foram anotadas jazidas similares na Ilha do Mel, Paraná. (*2)
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Fontes:
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(*1) - http://www.cbpm.com.br/paginas/prospectos.php
(*2) - BIGARELLA; João José. “Contribuição ao Estudo da Planície Litorânea do Estado do Paraná.” Curitiba (Paraná): Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas, Braz. arch. biol. technol., v.jubilee. dezembro de 2001.
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